
Perguntaram-me o que achei de interessante nela. Não fora sua beleza. Na verdade, se eu fosse contar por isso, a última, mais apagada do podium e mais desinteressante possível seria ela. Não era que fosse feia, mas não tinha uma delicadeza especial. Também não foram seus passos de dança, tão frágeis e demorados que mal se eram notados em meio à multidão. O vestido, em um tom pastel sem graça não seria visto nem que fosse a última moça do baile. Apesar de tudo, sua beleza não era das mais ofuscantes, ela não era uma dançarina profissional e seu traje não chegava nem aos pés dos das outras. Mas o brilho de seus olhos era mais lindo do que todas as belezas do universo, suas piscadelas incontroladas encantavam mais que todos os passos de danças existentes e a cor de seus sonhos e esperanças transpassados por suas pupilas valiam por todos os vestidos do mundo. Dizem que os olhos são as janelas da alma. Sendo assim, os dela eram as janelas da minha.